[Doryanne]


Friday, April 07, 2006
Almas e Vidas

 (A vida é cheia de coincidências...)

'(...) A razão porque dói tanto separarmo-nos é porque as nossas almas estão ligadas.
Talvez sempre tenham estado e sempre o fiquem.
Talvez tenhamos vivido milhares de vidas antes desta, e em cada uma nos tenhamos reencontrado.
Quando olho para ti vejo a tua beleza e graça, e sei que cresceram mais fortes em cada vida que viveste.
E sei que gastei todas as vidas antes desta à tua procura. Não de alguém como tu, mas de ti, porque a tua alma e a minha têm que andar sempre juntas.'
'Em tempos de sofrimento e de dor abraçar-te-ei e embalar-te-ei, e tomarei o teu sofrimento e fá-lo-ei meu.
Quando choras, eu choro, e quando sofres, eu sofro.
E juntos tentaremos conter as marés de lágrimas e desespero e conseguir passar os buracos negros das ruas da vida.'
 
Nicholas Sparks in O Diário da Nossa Paixão
 
Tenham um bom Fim De Semana.
Beijos*

Posted at 8:37 am by doryanne
Olhares (13)  




Wednesday, April 05, 2006
Máscara

Cansei de tirar a máscara
Às múltiplas faces da Noite.
Segurem-me.
Tenho por vezes a tentação
De encher eu a Noite com máscaras

Em noites de chuva como esta, gosto de me sentar à lareira com um bom livro nas mãos, de vez em quando levantar os olhos, fitar as chamas que se entrelaçam no doce e quente bailado do fogo, beber um gole da chávena de chá pousada na mesa a meu lado e retomar o livro.  Ah! Mas que nunca mais me volte a acontecer “aquilo” da semana passada. Assustou-me demasiado.

Tal como hoje, chovia e peguei num livro. Tal como hoje, observei a lareira na sua longa dança das chamas, mas parti para longe. Como um cavalo a galopar, parti, galguei quilómetros e quilómetros de terreno durante a noite.

Era uma história de florestas e de um cavalo preto. Eu ia em cima, montava aquele cavalo que nunca se libertava da escuridão da noite e daquela árvores densas que lhe dificultavam o caminho. Não recordo agora já para onde nos dirigíamos, era tudo demasiado ambíguo, tão demasiadamente escuro. Sei que cavalgámos quilómetros até que vi uma luzinha a brilhar na espessa densidade da noite. Dirigimo-nos para lá, eu e o meu cavalo negro. Era uma casa de pedra, já do outro lado da floresta. Fiquei contente por ter chegado ao fim das árvores e das trepadeiras, fiquei aliviada por ter finalmente chegado ao outro lado.

Desmontei do cavalo e bati à porta. Apetecia-me descansar das peripécias daquela noite, precisava do repouso de uma casa e do aconchego de uma lareira, de uma chávena de chá que me aquecesse a alma fria. Mas a porta não se abria, apesar da minha insistência. Contudo havia gente do outro lado. Ouvi passos, indecisões, tremores. Tenho até um estranho pressentimento, mas prefiro não falar dele.  São coisas que se sentem, que se sentem apenas e não se explicam.

Em noites de chuva como esta, gosto de me sentar à lareira  com um bom livro nas mãos, de vez em quando levantar os olhos, fitar as chamas que se entrelaçam no doce e quente bailado do fogo...

Ah! Mas que nunca mais me volte a acontecer "aquilo" da semana passada. É que já a noite ia a meio e o livro também, uma longa história de florestas, de uma mulher e de um cavalo negro, quando ouvi bater à porta. Assustei-me demasiado.  E se eu lhes disser que estremeci, que sei que era eu, eu, que me encontrava do outro lado, a bater, impaciente, molhada pela chuva, exausta da longa cavalgada...

É difícil de explicar, são coisas que se sentem, que se sentem e não se explicam... Encostei o ouvido à porta de madeira e ouvi a minha respiração ofegante do outro lado, numa súplica muda para que lhe abrisse. E passados momentos, o relinchar de um cavalo.  Ali fiquei até que percebi que os passos se afastavam. São coisas que se sentem, que se sentem e não se explicam. Nunca conseguirei abrir a porta. 

 

 

Helena Malheiro in "Pescadores de Estrelas"


Posted at 7:47 am by doryanne
Olhares (9)  




Monday, April 03, 2006
O Anjo mudo

 
E eu direi:

- Dantes, eras uma visão. Sentia uma luz acender-se na pele e eras tu. Hoje, preparo e bebo venenos para que o brilho daquilo que já não és venha ao de cima, se solte do sangue e estremeça, cintile e não se apague.

Tu:

- O medo, o grande medo que se confunde com a serenidade, devora-te. E se nos tocarmos perderemos a inocência; ou, talvez tu morras e eu ressuscite. Mas uma coisa é certa: não nos cruzaremos mais, estamos definitivamente sós. Eu, enterrado. Tu, respiras.

Eu:

- Quero morrer perto de ti, de nada me servirá morrer inocente.

Tu:

- Aqui, nesta treva, o que é que parou no tempo? As nossas vidas? A paisagem? O mar? Do qual nunca soubemos a idade...

Eu:

- Quando sentia o teu corpocontra o meu ouvia, lá fora, a fúria o mar. Era um presságio de felicidade, mesmo sabendo que só o mar de outras terras é belo.

Tu:

- Continuas a escrever demais, matas tudo com as palavras. Olha como eu te olho. Olha para mim e cala-te. Devias encher a caneta com tinta envenenada.

Eu:

- O último deserto que me resta de ti é a noite da escrita. Nela te mantenho vivo, amante morte. Já não possuo bens e não prevejo herança nenhuma. Vivo para a travessia do corpo que me sepultou na memória... o teu.

Tu:

- Aquele que se prepara para morrer tem que povoar a alma com tudo o que vai abandonar. Não chegues aqui de coração vazio. É insuportável estar morto, sem nada que nos habite. A morte não admite distracções; por isso, a maior parte das pessoas não sabe morrer, desfaz-se.

Eu:

- Não há vergonha em dizer ou escrever isto: amo-te ainda.

(...)»


Al Berto, 'O Anjo Mudo'
 
Uma boa semana a todos. Beijos*

Posted at 7:49 am by doryanne
Olhares (7)  




Wednesday, March 29, 2006
O instante mágico

A felicidade às vezes é uma bênção - mas geralmente é uma conquista. O instante mágico do dia nos ajuda a mudar, nos faz ir em busca de sonhos. Vamos sofrer, vamos ter momentos difíceis, vamos enfrentar muitas desilusões. Mas tudo isto é passageiro, e não deixa marcas. E, no futuro, podemos olhar para trás com orgulho e fé.

Mas pobre de quem teve medo de correr os riscos. Porque este talvez não se decepcione nunca, nem tenha desilusões, nem sofra como aqueles que têm um sonho a seguir. Mas quando olhar para trás - porque sempre olhamos para trás - vai escutar seu coração dizendo: "O que fizeste com os milagres que Deus semeou por teus dias? O que fizeste com os talentos que teu Mestre te confiou? Enterraste fundo em uma cova, porque tinhas medo de perdê-los. Então, esta é a tua herança: a certeza de que desperdiçastes tua vida."

Pobre de quem escuta estas palavras. Porque então já está velho, e não pode fazer mais nada. Porque então terá fé, mas não terá mais tempo. Porque então acreditará em milagres, mas os instantes mágicos da vida já terão passado."

"Na margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei",
de Paulo Coelho


Posted at 6:47 am by doryanne
Olhares (4)  




Monday, March 27, 2006
O Amor é um rosto

"-Um rosto, penso que o Amor é um rosto. Um rosto que vemos dia após dia. acordamos de manhã e lá está, outra vez aquele rosto, a olhar-nos de cima da almofada ao lado da nossa.
Tomamos o pequeno-almoço, uma nova oportunidade de nos escondermos, por detrás do pacote de cornflakes. Beija-se esse rosto, quando o casal se separa para ir cada um para o seu trabalho. Oito horas mais tarde voltamos a cumprimentar aquele mesmo rosto com um beijo. O rosto informa-nos como decorreu o seu dia de trabalho. Nós informamos o rosto de como correu o nosso. Cozinhamos para o rosto e ele lava o que ficou sujo no dia anterior.
E quando vamos para a cama, beijamos o rosto uma vez mais, à espera de o encontrarmos nos nossos sonhos. De tanto ver um rosto acabamos por amá-lo, disse-lhe...
Amá-lo ou odiá-lo..."

Trecho de "Jantar a Dois" de Mike Gayle

Um bom início de semana*


Posted at 6:42 am by doryanne
Olhares (7)  




Thursday, March 23, 2006
Sensibilidade

Olá a todos! Pois é devido às constantes alterações da Sapo, e depois de muitas complicações com servidores; decidi mudar a Doryanne também aqui para a blogdrive onde se encontram os meus outros blogs.

Aqui irão encontrar uma Doryanne um pouco diferente, irão encontrar na maioridade, passagens de livros que li e que gostei e que por um motivo ou outro me ficaram marcados e aqui os partilharei coonvosco.

Decidi não publicar mais poemas de minha autoria, não quer dizer que uma vez por outra não venha a publicar por aqui algum...

De qualquer modo espero que gostem e me continuem a acompanhar... O blog não está ainda exactamente como quero, mas conforme a minha disponibilidade e tempo (que não tem sido muito  muito) irei "tratando" dele.

Sendo assim hoje deixo aqui uma pequena passagem de um livro que li já há uns anos:

"(...)
-Qual foi o último filme que viu??
-O Mundo Perfeito, com Kevin Kostner e Clint Eastwood.
-Chorou?
-O tempo todo - confesso, com as faces levemente ruborizadas.
-Era de supor... Você é uma criança! Não vale a pena envergonhar-se da sua sensibilidade. Muitas pessoas fazem-se passar por sensíveis sem o serem, muitas pessoas não verteriam uma só lágrima nem nesse nem em qualquer outro filme.
Pausa.
-Recordo-me de que um dia fui com o meu pai à caça de perdizes e observei: "O céu hoje está tom de violeta." Ele riu-se, ironizou e perguntou-me: "Mas que raio de cor é essa? Cá para mim está preto e está quase a chover." As pessoas não sensíveis são assim. Felizmente não nos enquadramos no grupo.
-Às vezes prefiria ser menos sensível...
-E já pensou na gama de emoções, de cambiantes de sensações que lhe estariam vedadas?
(...)"

Trecho de "O Espelho Da Lua" de Joana Miranda



E vocês, são pessoas sensíveis?


Posted at 12:16 am by doryanne
Olhares (10)  




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